Quase duas décadas separam O Diabo Veste Prada (2006) da sua tão esperada continuação, e isso se reflete não só na narrativa, mas principalmente no figurino. O primeiro filme virou referência estética de uma geração: looks ousados, coordenados milimetricamente para impactar, com excesso proposital, marcas à mostra e sobreposições que gritavam moda.
Já em O Diabo Veste Prada 2, temos um contraste sutil, mas poderoso: a moda agora não grita – ela sussurra com elegância. É menos show-off e mais curadoria.

Andy (Anne Hathaway), que antes precisava provar que pertencia ao universo fashion com sobreposições ousadas e salto agulha, agora aparece com um estilo mais maduro, urbano e discreto. Os acessórios permanecem, mas com um ar mais realista – colares de corrente mais grossa (que estão em alta nas passarelas e no street style), bolsas estruturadas e uma paleta de cores sóbrias. Há um toque de sofisticação sem esforço, alinhado com o momento em que a personagem parece ter encontrado seu próprio ponto de equilíbrio entre moda e identidade.
Já Miranda Priestly (Meryl Streep) permanece como um ícone – mas agora, menos maximalista. Seus looks continuam imponentes, mas com mais textura e menos estampa. O foco está nos detalhes: maxi brincos dourados, anéis esculturais e cortes impecáveis. Ela continua ditando tendência, mas sem precisar de tantas camadas para afirmar seu poder. É o luxo silencioso – tendência que tem dominado as semanas de moda e editoriais globais.

A grande virada no styling do segundo filme é essa: a moda não precisa mais se justificar. As personagens vestem poder, mas sem o desejo de agradar. A comunicação de moda está mais madura, mais intencional. O figurino dialoga com o momento atual da indústria: um mundo que já viu o excesso e agora valoriza a curadoria, a construção de estilo pessoal, e a escolha consciente das peças.
No fim das contas, O Diabo Veste Prada 2 não é sobre a roupa que te veste, mas sobre como você veste o seu lugar no mundo.







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